Envelhecimento e atividade física

EXPECTATIVA DE VIDA

Envelhecimento com qualidade de vida está intimamente ligada à atividade física. Globalmente, a média da expectativa de vida tem aumentado significativamente nos últimos anos devido à evolução da ciência em relação à prevenção e diagnósticos de doenças. Isto faz com que o grupo de pessoas com mais de 65 anos tenha crescido consistentemente nas últimas décadas. No entanto, este aumento no número de anos vividos nem sempre vem sendo acompanhado por uma melhor qualidade de vida.

Temos nos deparado com uma população cada vez mais envelhecida, resultado do aumento da esperança média de vida e da diminuição das taxas de fecundidade. A exemplo disso, a população brasileira também está envelhecendo e, até 2060, o percentual de pessoas com mais de 65 anos passará dos 9,2% (em 2018) para 25,5%. Ou seja, 1 em cada 4 brasileiros será idoso, projeção apontada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

PROJEÇÕES

Segundo a pesquisa, a fatia de pessoas com mais de 65 anos alcançará 15% da população já em 2034, ultrapassando a barreira de 20% em 2046. Em 2010, estava em 7,3%.  A pesquisa mostra também que em 2039 o número de idosos com mais de 65 anos superará o de crianças de até 14 anos, o que acelerará a trajetória de envelhecimento da população. O Rio Grande do Sul será o primeiro estado que experimentará uma proporção maior de idosos que crianças de até 14 anos, o que deverá ocorrer em 2029, afirma o mesmo Instituto – IBGE.

Esse processo pode ser observado graficamente pelas mudanças no formato da pirâmide etária ao longo dos anos, que segue uma tendência mundial de estreitamento da base (menos crianças e jovens) e alargamento do corpo (adultos) e topo (idosos).

Esta tendência demográfica traz uma crescente preocupação com a questão do envelhecimento e as consequências que este fenômeno engloba. Especialmente sobre o aumento da incapacidade física dos idosos e de patologias crônicas associadas ao envelhecimento principalmente em decorrência da alta incidência de enfermidades neurodegenerativas nessa população.

Devido ao alto custo do Sistema de Saúde pública e o crescente índice de morbidade social que afeta grande parte da população idosa, tem-se permeado ao longo dos últimos anos, muitas pesquisas na linha das desordens de funções cognitivas. Estas pesquisas buscam verificar os efeitos e a eficácia dos exercícios físicos nessa população e o aumento ou manutenção da força, equilíbrio, coordenação, fatores esses que contribuem para a diminuição do risco de quedas nos idosos.

PERDA COGNITIVA: COMO A ATIVIDADE FÍSICA PODE AJUDAR?

Doenças crônicas degenerativas são os fatores que mais dificultam as atividades de vida diária. Diante disso, para se evitar a perda cognitiva em idosos, certas atitudes podem e devem ser tomadas:

-a prática de exercícios físicos regulares, preferencialmente antes dos 65 anos de idade (quanto mais precoce melhor);

-a adoção de uma dieta equilibrada, hipossódica (pouco sal) e hipolipídica (pouca gordura) (visando evitar hipertensão arterial e outras doenças que possam comprometer o sistema cardiovascular);

-o estímulo contínuo da atividade cerebral, através de interações sociais e atividades intelectuais, como leitura e até mesmo partidas de xadrez ou gamão.

Diversas pesquisas têm demonstrado a ação benéfica de um programa de exercícios físicos  sistematizado como um tratamento não farmacológico para as doenças neurodegenerativas, preferencialmente associada à estimulação cerebral. Os resultados encontrados na última década têm trazido resultados encorajadores e muito positivos das funções cognitivas, tais como efeitos ansiolíticos, modulação dos níveis de depressão e estresse. Também se verifica a redução nos distúrbios de comportamento e do sono e outras que sobremaneira afetam grande parte dessa população e cujos benefícios podem aproximar-se dos adquiridos por fármacos antidepressivos muito utilizados nessa faixa etária.

 

Simone Geremia – http://grupouno.web88f04.kinghost.net/equipe/simone-geremia

Diretora Grupo Uno/ Pilates Sal da Terra/ Ipanema Pilates

Profissional de Educação Física- ESEF- UFRGS (RS- Brasil)

Pós graduada em Treinamento desportivo- ESEF -UFRGS (RS-Brasil)

Mestranda em Atividade Física para Terceira Idade – FADEUP- Universidade do PORTO (Portugal)

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